Quando os meus pais se ofereceram para nos ajudar a comprar um apartamento, fiquei contente. Pareceu-nos o início perfeito para a nossa vida familiar.
Estabeleceram uma condição razoável: os pais do meu futuro marido deveriam contribuir com a sua parte. Tinham condições, pois tinham vendido recentemente uma propriedade herdada.
Mas o seu pai recusou inesperadamente:
— Temos outros filhos, não podemos ajudar todos.
Os meus pais resolveram a questão rapidamente: compraram o apartamento em seu nome, prometendo depois doá-lo. Tudo parecia estar a encaixar.

Mas a partir desse momento, tudo começou a correr mal. Quando a conversa passou para a remodelação, o meu noivo disse:
— O apartamento não é meu, porque é que hei-de investir nele?
Os meus pais cuidaram da reforma sozinhos. O meu pai e os meus irmãos trabalhavam todas as noites, cortando, furando, rebocando, enquanto a minha mãe escolhia os azulejos e a tinta.
Quando a renovação terminou, decidi agir com sensatez. Mobilar o apartamento seria a nossa responsabilidade partilhada. Os meus pais prometeram comprar a cozinha e os meus irmãos estavam a oferecer os móveis do quarto. Só faltava ao meu noivo mobilar a sala de estar e o corredor.
— Ganha bem — disse calmamente. — Esta será a sua contribuição para o nosso futuro lar.
Mas a resposta dele atingiu-me como um golpe no coração:
— Porque hei-de mobilar o seu apartamento? Devo simplesmente dar-lhe todo o meu salário?
Era como se não o reconhecesse. Onde estava o homem atencioso e decente com quem passei três anos felizes?
Os meus pais ficaram chocados. Não percebiam porque é que o meu noivo era tão sensível em relação a tudo o que estava relacionado com o apartamento. Mas eu ainda acreditava nele.
Com o passar do tempo, as discussões passaram a fazer parte do nosso quotidiano.
As suas exigências tornaram-se mais fortes: que o apartamento fosse registado em nossos nomes, que fosse aí registado. De cada vez, tentava explicar que o apartamento era um presente dos meus pais e que tinham o direito de fazer o que quisessem com ele.
Mas isso não o acalmou. A certa altura, disse-lhe:
— Se pensa assim, talvez não devêssemos casar?

A sua resposta foi como uma facada nas costas:
— Eu também não quero.
Deixámos de nos falar durante uma semana. Desculpou-se primeiro:
— Desculpe, foram só emoções. Eu estava enganado.
Pensei que tudo poderia ser resolvido. Voltámos a ver-nos, mas os velhos problemas rapidamente ressurgiram. O meu noivo voltou a falar do seu ressentimento:
— Achas-me pobre e indigno porque não queres partilhar o apartamento.
Tentei manter a calma e sugeri que conversássemos pacificamente. Mas, por dentro, sentia que aquilo já não era amor — era uma batalha por território.
Agora continua a enviar-me mensagens, a lembrar-me do casamento que se aproxima, mas não consigo sentir qualquer alegria. As suas palavras: “Porque hei-de fazer parte desta família se nada me pertence?” ainda ecoam na minha mente.
Devo casar com uma pessoa assim? Ou será que ela apenas me mostrou quem realmente é?