O lendário cowboy de Hollywood faz 95 anos: o percurso de Clint Eastwood — sobrevivência a um acidente de aviação, 7 filhos e um estúdio de cinema próprio

Clint Eastwood é a prova viva de que a vida pode ser mais longa e vibrante do que qualquer filme de Hollywood. De um rapaz tímido a milionário e pai de muitos filhos, este é o sonho americano em ação. E o mais importante: aos 95 anos, continua firme e forte. Aparentemente, o segredo da longevidade é nunca parar e ter sempre um novo projeto. Ou talvez sejam apenas bons genes. Quem sabe?

De menino tímido a cowboy dos ecrãs


Clint nasceu em São Francisco, numa família habituada a fazer as malas e a mudar-se com pouco aviso prévio. A Grande Depressão obrigou muitos a repensar a ideia de lar — que passou a ser onde quer que houvesse trabalho e abrigo. A sua infância foi marcada por mudanças frequentes, escolas temporárias e incerteza constante.

Clint era sempre calado — o miúdo que ficava no fundo das fotografias da turma, um pouco afastado. Assim, quando ele aceitou inesperadamente representar numa peça da escola, professores e colegas ficaram genuinamente surpreendidos. O palco foi uma revelação — não porque se tenha apaixonado instantaneamente pelo teatro, mas porque finalmente se sentiu ouvido.

Uma trajetória profissional de muito trabalho. Antes de se juntar ao exército, Clint trabalhou como entregador de jornais, bombeiro, empregado de bomba de gasolina e até pianista num bar. Este último emprego inspirou-o o suficiente para considerar estudar música a sério. Mas o exército tinha outros planos: perder um potencial músico de jazz e ganhar uma futura estrela do western. A ironia do destino na sua melhor forma.

Um acidente de avião que lhe salvou a carreira


Durante a Guerra da Coreia, Clint treinou para ser piloto, mas um voo de treino quase lhe custou a vida. O motor falhou e o seu avião caiu no mar. Nadou cinco quilómetros até à costa. Em vez de ser punido por perder o avião, foi destacado como instrutor de natação. O comando concluiu aparentemente que, se conseguiu sobreviver àquilo, poderia ensinar outros a não se afogarem. Faz sentido.

O Contrato que Lhe Ensinou a Liberdade:
Em Los Angeles, Clint assinou um contrato para “interpretar qualquer papel que lhe fosse oferecido”. Após um ano e meio de pequenas participações e discursos aborrecidos, quase entrou em depressão. Eventualmente, rescindiu o contrato e procurou algo mais significativo. Lição aprendida: mais vale estar desempregado do que ser um funcionário infeliz.

“Rawhide” — O primeiro passo para a fama


Clint achou o papel na série “Rawhide” desinteressante, mas o público discordou. O western esteve no ar durante sete anos, tornando-o conhecido, embora ainda não levado a sério. E, notavelmente, o salário também não era assim grande coisa. A fama sem fortuna é como a sopa sem sal — comestível, mas não satisfatória.

Sergio Leone e Triunfo Após os 30


Aos 30 anos, Clint foi convidado pelo então pouco conhecido realizador italiano Sergio Leone para protagonizar “Por um Punhado de Dólares”. O filme foi um sucesso, seguido de mais dois da série. O mais famoso, “Três Homens em Conflito” (The Good, the Bad and the Ugly), transformou Eastwood num ícone de culto. Curiosamente, o seu visual com um poncho e um sombrero mexicanos foi criado pelo artista italiano Carlo Simi — um cowboy americano criado por europeus. A globalização em ação!

De ator a magnata dos media:
Em 1968, Clint fundou a Malpaso Company. A partir da década de 1970, atuou quase exclusivamente em projetos próprios, com apenas duas exceções. Ser dono de um estúdio deu-lhe controlo sobre o seu destino em Hollywood.

Óscares e Maestria na Realização:
Hoje, Eastwood detém cinco Óscares, quatro deles como realizador. O seu filme “Os Imperdoáveis” venceu em 1993 e “Menina de Ouro” em 2004. Outras nomeações incluem “Sobre Meninos e Lobos” e “Sniper Americano”.

A vida fora do cinema: golfe, política e música.
Aos 94 anos, Clint ainda realiza cerca de um filme por ano. Gosta de golfe e é dono de um clube de golfe privado. No final da década de 80, foi presidente da Câmara de Carmel, na Califórnia. É também compositor de melodias de jazz, algumas utilizadas como banda sonora para os seus filmes.

Vida pessoal: mais complicada do que qualquer argumento


Oficialmente casado duas vezes, a vida amorosa de Clint inclui muitas outras mulheres. O seu primeiro casamento com a atriz Maggie Johnson durou oficialmente de 1953 a 1984, mas terminou mais cedo na prática. Entretanto, namorou com uma bailarina, uma hospedeira de bordo e outra atriz. O seu segundo casamento com a apresentadora de TV Dina Ruiz, 35 anos mais nova, durou 17 anos, até que esta o apanhou a traí-la aos 83 anos. Após o divórcio, Clint namorou com Erika Fisher, 41 anos mais nova e com apenas o ensino secundário completo. Bem, aos 90 anos ou mais, pode dar-se a esse luxo se for uma estrela de Hollywood.

Sete crianças — sete talentos


Eastwood tem sete filhos com mulheres diferentes, todos seguindo carreiras criativas. A filha mais velha, Kimber, é atriz com uma filmografia modesta; o filho Kyle é músico de jazz; Alison é atriz e realizadora; Scott é um ator de sucesso, tal como o pai; Katherine também é atriz; as mais novas Francesca e Morgan são conhecidas sobretudo pelo reality show “Mrs. Eastwood & Company”.

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