“A minha primeira vez terminou nas urgências — e mudou para sempre a minha visão sobre o sexo”
Agarrei-me à grade da cama do hospital até os nós dos dedos ficarem brancos, tentando manter-me firme enquanto a minha melhor amiga e uma enfermeira me ajudavam a manter as pernas afastadas e outra inseria cuidadosamente uma gaze para estancar a hemorragia. As lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Dizem que a primeira vez nunca se esquece — eu só nunca imaginei que a minha envolveria lençóis ensanguentados, pânico e três quartos de hospital diferentes.
Agora, quero partilhar a minha história para que outros possam evitar a confusão, a dor e o silêncio que enfrentei. Não é apenas uma recordação pessoal — é uma lição sobre o quanto precisamos de uma melhor educação sexual.
Estava no final da adolescência e namorava com um rapaz de quem gostava. Ele tinha reservado um quarto de hotel, mas o sexo não era algo que eu esperasse naquela noite — não estava preparada mental ou emocionalmente. Desde o momento em que chegámos, senti-me desconfortável. Estava nervosa, insegura sobre como agir e demasiado tensa para sequer pensar em intimidade.
Não houve qualquer preparação, qualquer preliminar. Mal me tocou — apenas no peito — e depois começou a penetrar-me. A dor foi imediata e aguda, e algo dentro de mim dizia que aquilo não estava bem. Quando o sangue veio, era fresco e abundante, e não parecia uma menstruação normal. Encharcou tudo.
Perguntou porque é que eu estava a sangrar tanto, mas eu não tinha resposta. O medo em ambos era palpável.

Tentei estancar a hemorragia com pensos higiénicos — depois de usar seis, liguei para o serviço de atendimento telefónico do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido). Perguntaram sobre o meu consentimento (que confirmei) e sugeriram que me dirigisse a um centro de atendimento sem marcação. Sentia-me tonta, com a cabeça leve e aterrorizada com a possibilidade de a minha família descobrir.
Na clínica, disseram-me para ir diretamente ao pronto-socorro. Quase desmaiei na sala de espera e parti o ecrã do telemóvel no processo. O motorista da Uber teve de parar para me trazer snacks e água. Finalmente, fui internada e rodeada por uma equipa de mulheres — enfermeiras, ginecologistas — todas a tentar descobrir o que tinha acontecido.
Encontraram lacerações em ambas as paredes vaginais, provavelmente causadas por penetração brusca ou prematura. Não estava preparada — nem física nem emocionalmente. A hemorragia durou mais de três horas. Usei mais de dez pensos. A visão da chique cueca fio dental que tinha comprado só para aquela noite, atirada para os pés da cama do hospital, pareceu-me irónica.
Apesar da dor, ainda encontrei momentos de humor — talvez até de choque. Lembro-me de pensar: Não era para ser assim .
Pedi a uma das enfermeiras que não contasse à minha família. Vindo de uma família do Sul da Ásia, sempre me alertaram que o sexo antes do casamento era inaceitável. A minha mãe costumava dizer que os homens só querem uma coisa — e, assim que a conseguem, vão-se embora. No meu caso, senti que ela tinha razão.
Nessa noite, não consegui comer nem dormir. Tinha um cateter, os meus sinais vitais eram monitorizados constantemente e sentia uma ansiedade avassaladora. No dia seguinte, quando disse à ginecologista que nunca mais queria ter relações sexuais, ela sorriu gentilmente e disse: “Não é assim que deve ser. Quando estiveres preparada, será completamente diferente”. Naquele momento, não acreditei nela.
O sangramento finalmente parou ao fim de dois dias e tive alta. Regressei a casa sem contar nada à minha família — disse que ia dormir a casa de um amigo.
Mais tarde, partilhei a minha história com algumas amigas próximas. Uma delas contou-me que a sua primeira vez também foi dolorosa e que chorou. Outra disse que a sensação foi estranha e húmida. Estas conversas fizeram-me perceber quantas pessoas entram na vida sexual sentindo-se inseguras, confusas ou com medo — e como raramente estamos devidamente preparadas.

Fez-me pensar em como somos pouco ensinadas — especialmente as raparigas. Muitas escolas ainda se concentram na abstinência ou na prevenção de doenças, ignorando completamente coisas como o prazer, o conforto e o consentimento. Não nos dizem que o sexo deve ser mútuo e seguro — não apressado, doloroso ou unilateral.
Uma sondagem realizada a mais de 3.000 mulheres mostrou que um terço não estava preparado para a primeira vez e mais de metade disse que doeu. Isso precisa de mudar.
Se tivesse aprendido a compreender o meu próprio corpo — a falar sobre ele, a reconhecer a sensação de prontidão — acredito que aquela noite teria sido muito diferente.
Demorei um ano inteiro para me sentir confortável o suficiente para voltar a ter intimidade. E quando finalmente o consegui, foi como começar do zero — só que desta vez, foi suave, lento e mais como alongar um músculo que nunca tinha sido usado antes.
Ora, o sexo é algo que me dá prazer. Já não me causa medo nem arrependimento — é algo que experiencio nos meus próprios termos, com alegria, segurança e confiança.