Claudette Colvin, pioneira dos direitos civis, morre aos 86 anos.

Anos antes de o seu nome encontrar lugar nas salas de aula e nos livros de História — e nove meses antes de a detenção de Rosa Parks mudar o rumo de uma nação — uma rapariga negra de 15 anos, em Montgomery, no Alabama, fez uma escolha silenciosa, mas revolucionária.

Claudette Colvin, figura pioneira na luta pelos direitos civis, que se recusou a ceder o seu lugar no autocarro a um passageiro branco em 1955, faleceu aos 86 anos. A sua morte foi confirmada pela Fundação Claudette Colvin.

“Ela deixa um legado de coragem que ajudou a moldar a história americana”, disse a fundação em comunicado.

Um momento decisivo com apenas 15 anos.

Em março de 1955, Colvin era uma estudante do ensino secundário que viajava num autocarro urbano segregado em Montgomery quando o motorista lhe ordenou que se deslocasse para dar lugar a uma mulher branca. Ela recusou — e foi presa.

Tinha apenas 15 anos na altura.

O seu ato de desafio ocorreu meses antes da detenção de Rosa Parks, mais conhecida, que desencadeou o boicote aos autocarros de Montgomery e, por fim, levou a uma decisão histórica do Supremo Tribunal que proibiu a segregação nos autocarros públicos.

Apesar da importância da sua posição, o papel de Colvin permaneceu amplamente desconhecido durante décadas.

“Eu sabia que estava certo”

Numa entrevista à BBC, em 2018, Colvin recordou que o que sentiu naquele dia não foi medo, mas sim raiva.

Disse que estava chateada porque sabia que tinha todo o direito de permanecer sentada. Colvin descrevia frequentemente sentir o peso da história naquele momento.

Ela disse uma vez que, quando as pessoas lhe perguntavam porque é que não se mexia, sentia como se os espíritos de Harriet Tubman e Sojourner Truth a estivessem a manter firmemente no lugar.

Um papel fundamental no fim da segregação

Embora Rosa Parks se tenha tornado o símbolo público do movimento, Colvin desempenhou um papel jurídico vital. Em 1956, o Supremo Tribunal dos EUA considerou a segregação nos autocarros inconstitucional num caso baseado no depoimento de quatro queixosas — uma das quais era Claudette Colvin.

Esta decisão ajudou a acabar com os sistemas de autocarros segregados não só em Montgomery, mas em todo o país.

Uma história há muito esquecida

Na altura, os líderes dos direitos civis optaram por não dar destaque ao caso de Colvin, e o seu contributo caiu no esquecimento. Só décadas mais tarde, com a publicação de um livro em 2009, é que a sua história ganhou maior reconhecimento.

Mais tarde, Colvin mudou-se para Nova Iorque, onde trabalhou como enfermeira. Faleceu num centro de cuidados paliativos no Texas.

Outrora ignorada, Claudette Colvin é hoje amplamente reconhecida como uma adolescente corajosa cuja resistência silenciosa ajudou a impulsionar os Estados Unidos para a igualdade.

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