Escândalos, 5.000 romances e uma batalha contra a doença: a saga de Charlie Sheen

Início de carreira


Sheen fez a sua primeira aparição no ecrã aos nove anos de idade, num pequeno papel ao lado do seu pai. Mas o seu verdadeiro sucesso chegou com Platoon (1986) e Wall Street (1987), ambos de Oliver Stone. Estes filmes revelaram não só o seu talento como ator, mas também a sua capacidade de deixar uma impressão duradoura. Ironicamente, o seu papel mais inesquecível acabou por ser o de si próprio.

Num dos seus momentos mais bizarros, em 1991, Sheen assistiu ao filme de terror japonês Guinea Pig , confundiu-o com um filme snuff real e ligou para o FBI. Os agentes rapidamente explicaram ao ator que os filmes são, de facto, ficção.

“Dois Homens e Meio”: Quando o papel espelha a vida real


Em 2003, Sheen foi escolhido para o papel de Charlie Harper na sitcom Two and a Half Men — uma escolha perfeita. Interpretar um solteirão hedonista que bebe, festeja e evita responsabilidades foi essencialmente autobiográfico.

No auge da série, ganhava cerca de 2 milhões de dólares por episódio, o que fazia dele um dos atores mais bem pagos da televisão. Mas nem todo esse dinheiro comprava bom senso — ou um bom assessor de imprensa. Eventualmente, as suas extravagâncias fora do ecrã levaram-no a ser demitido da série num escândalo público.

Vida pessoal: recordes que é melhor deixar intactos.


Embora a carreira de Sheen tenha demonstrado versatilidade, a sua vida pessoal apenas apresentou um papel recorrente: o de mulherengo incorrigível. Chegou a gabar-se de ter dormido com 5.000 mulheres — mais do que a população de algumas pequenas cidades.

Em 1993, admitiu em tribunal ter gasto 50 mil dólares em prostitutas — o suficiente para comprar um carro decente, embora Sheen preferisse um tipo diferente de “veículo”.

Os seus casamentos:

  • 1995–1996: Donna Peele (9 meses — quase um recorde!)

  • 2002–2006: Denise Richards (4 anos, dois filhos)

  • 2008–2011: Brooke Mueller (3 anos, filhos gémeos)

Um dos incidentes mais infames envolveu a atriz Kelly Preston. O seu relacionamento terminou depois de Sheen lhe ter disparado acidentalmente no braço. Preston decidiu sabiamente que era melhor estar solteira e viva do que apaixonada e ferida.

Passatempos e peculiaridades


Sheen tem 12 tatuagens, uma delas com a frase: “Volto daqui a 15 minutos”. Um lema apropriado para alguém que está sempre a desaparecer no caos e a reaparecer de forma imprevisível.

Em 1990, aventurou-se mesmo na poesia, lançando uma colectânea intitulada ” A Peace of My Mind” (Uma Paz de Espírito) . O livro ainda está disponível na Amazon, embora nunca se tenha tornado um best-seller. Surpreendentemente, Sheen também convenceu Winona Horowitz a mudar o seu nome para Winona Ryder, provando que tinha um talento inesperado para dar conselhos de carreira.

Diagnóstico de VIH
Em 2015, Sheen revelou ser portador do vírus VIH. Explicou que tornou o caso público para impedir tentativas de extorsão — os chantagistas já lhe tinham roubado 10 milhões de dólares.

Segundo Sheen, contraiu o vírus através de sexo desprotegido. Dado o seu estilo de vida e o número de parceiros que ele próprio declarou ter, muitos consideraram isso inevitável. Outrora conhecido pelas suas piadas de que “a morte é para perdedores”, Sheen via-se agora confrontado com a dura realidade de que a vida pode ser mais cruel do que qualquer piada pronta.

Curiosamente, após a sua revelação, as pesquisas online sobre o VIH dispararam. Os especialistas chegaram mesmo a cunhar o termo “Efeito Charlie Sheen”, referindo que a sua revelação contribuiu mais para aumentar a consciencialização do que muitos programas oficiais da ONU.

PS: Se a sua vida alguma vez parecer monótona, lembre-se da de Charlie Sheen — e talvez ela deixe de parecer tão aborrecida.

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