Projeto fotográfico ousado destaca mulheres que abraçam os seus pelos corporais naturais — e está a gerar uma poderosa conversa sobre beleza.

Um impactante projeto fotográfico denominado “Beleza Natural” está a gerar diálogo ao confrontar as normas tradicionais de beleza, particularmente as relacionadas com os pelos corporais femininos. A série apresenta mulheres que exibem com confiança os seus pelos naturais nas axilas, desafiando a antiga pressão social para os remover — uma prática que remonta à antiguidade. No início da história da humanidade, a remoção de pelos corporais era frequentemente feita com recurso a ferramentas rudimentares, evoluindo ao longo das gerações. A teoria da seleção sexual de Charles Darwin também influenciou a crença de que a ausência de pelos era um sinal de maior atratividade e “evolução”, solidificando este ideal de beleza no século XX.

No início do século XX, a pele lisa e sem pelos tornou-se um aspeto esperado da feminilidade, e os pelos corporais visíveis passaram a ser vistos como algo vergonhoso. A filósofa Heather Widdows destacou a culpa que muitas mulheres sentem ao não se depilarem. Mas o fotógrafo Ben Hopper , criador da série “Beleza Natural”, procura desafiar esta mentalidade. O seu trabalho apresenta mulheres a exibir com orgulho os seus pelos corporais naturais, convidando os espectadores a repensar os padrões convencionais presentes na moda e nos media.

As imagens de Hopper contrastam retratos polidos de mulheres com visuais mais crus e autênticos, apresentando os pelos das axilas femininas não como algo desleixado, mas como algo natural e poderoso. Várias participantes do projeto — atrizes e modelos — partilham que deixar crescer os pelos do corpo tem sido uma experiência libertadora e empoderadora. Para elas, isto representa não só conforto, mas também uma reconquista simbólica da força pessoal e da autonomia.

É importante realçar que Hopper não defende que todas as mulheres devam deixar de se depilar. Em vez disso, espera alargar a discussão, questionando a ideia de que a remoção de pelos é o padrão e encorajando as mulheres a escolher o que lhes parece certo. Para algumas, como a modelo Sienna, manter os pelos no corpo resume-se simplesmente ao conforto. Outras, como Emilie Bostdt, defendem que deixar crescer os pelos não deve ser um ato radical — embora a reação da sociedade dê, muitas vezes, essa impressão.

Em última análise, a “Beleza Natural” ajuda a redefinir o que a feminilidade pode representar. Ao destacar experiências e aspetos diversos, o projeto promove uma ideia de beleza mais inclusiva e acolhedora — uma que valoriza a autenticidade em detrimento da conformidade.

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